Mendes Brothers ta kanta Kabu Verdi
Kabu Verdi, bó ten na mi…/ un fidju fiel/ un fidju amanti/prontu na morre pa bó/ num instantiSeis anos depois de Satélite Zamby, os Mendes Brothers apresentam Kabu Verdi. O sexto disco de John e Ramiro Mendes resume uma carreira assente numa música moderna com o espírito finkadu na tradição musical de Djarfogo, ilha-mãe. Um álbum feito de koladera, bandera e talaia baxu, ao lado do semba angolano, símbolo da ligação do grupo aos ritmos daquele país.
Kabu Verdi é tradição, afirmação, saudade e homenagem. Não é à toa que é dado ao público no ano do trigésimo aniversário da independência nacional. As 12 canções, da autoria dos irmãos Mendes, são escritas em crioulo, com recurso ao Alfabeto Unificado para a Escrita do Cabo-verdiano (ALUPEK). Emblemático, numa altura em que o Estado se prepara para aprovar o kriolu como língua oficial do ensino e da administração pública.

Segundo John, a princípio sentiram um certo receio do ALUPEK. Mas a ajuda da professora Nezy Brito foi preciosa, ao ensinar os Mendes Brothers a escrever e a defender o alfabeto. “É stranhu pa du ta difendé nos kabuverdianidadi, ma du ka ta difendé skrita di nos lingua. Pamó? Tinta na papel ten mas forsa ki palavra na bentu. Dja du prendé papia Kriolu. Agó du debé prendé skrebe-l", defende John.
Além de ritmos cabo-verdianos, Kabu Verdi traz um semba, ilustrativo da ligação dos Mendes Brothers a Angola. Jon e Ramiro começaram a escutar a música angolana no início da década de setenta, através de discos de crioulos retornados daquele país e de um músico cabo-verdiano que cresceu em Angola, Denden Barbosa. “Du prendé toka merengis, rebitas, etc. Dipos du kontinua ta prendé atraves di diskus di David Ze, Antonio Paulino, Os Bongos, Os Kiezos, Jovens do Prenda y otus”. Nos anos 90, Ramiro Mendes partiu para Angola, para ser director musical da banda de Valdemar Bastos. Desde então, surgiram várias composições sobre este país e digressões anuais.

O disco Kabu Verdi está a ser vendido apenas nos Estados Unidos. Na próxima semana, chega a Portugal. Ainda não aterrou em Cabo Verde por causa de dificuldades com importadores. Quanto a uma digressão por cá, fica uma promessa: "nos mé du ten sodadi di nhos tudu y du ta spera brevimenti sta entri nhos".
Com Visaonews




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